November 16th, 1992
Pega os teus sonhos e coloca dentro de uma mochila, pegue o teu melhor sorriso e segue o teu caminho.
Se você gosta pelo físico, é desejo. Pela inteligência, é admiração. Pelo dinheiro, é interesse. Mas se você não sabe o por que, é amor.
Adeus você. Eu hoje vou pro lado de lá. Eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar. Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão. Procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar. Quero ver você maior, meu bem, pra que minha vida siga a diante. Adeus você. Não venha mais me negacear. Teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar. Acalma essa tormenta e te aguenta, que eu vou pro meu lugar. É bom, às vezes, se perder sem ter porque, sem ter razão. É um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom. Quero não saber de cor, também… Para que minha vida siga adiante.
Era uma boa mulher. Gostava dela. Realmente, se preocupava comigo, queria que eu me desse bem, que eu escrevesse bem, que eu trepasse bem, que eu parecesse bem. Eu percebia isso. Era legal.
Eu sou assim mesmo,sempre terei medo de ser trocado.
Ela morreu em 1870. Ataque do coração, ou o melhor, coração carregado de amor. Ela amava demais, ela era tudo de bom, ela era um anjo, e ela não era correspondida. Ela era boa demais para ficar nesse mundo, e ela se foi para um lugar tão bom quanto o seu coração preenchido de amor e dor.
Tem muita gente que pensa que ama. Não sou ninguém para julgar o amor dos outros, longe de mim. Mas o amor, o amor mesmo, o amor maduro, o amor bonito, o amor real, o amor sereno, o amor de verdade não é montanha-russa, não é perseguição, não é telefone desligado na cara, não é uma noite, não é espera. O amor é chegada. É encontro. É dia e noite. É dormir de conchinha. É acordar e fazer um carinho de bom dia. É ajuda, mãos dadas, conforto, apoio. E saco cheio, também. Porque de vez em quando o amor enche o saco. Tem rotina, tem manhã, tarde, noite, tem defeito, tem chatice, tem tempestade. Mas o céu sempre limpa. Porque o amor é puro como o azul do céu.
Na verdade, não é que eu tenha esquecido. Simplesmente deixei de prestar atenção.
Eu sou aquela pessoa que diz pra todo mundo ter fé, ser forte e acreditar. Mas olha pra mim, eu estou um caco.
Eu tenho 99% de certeza de que ele não gosta de mim. Mas é esse 1% de possibilidade que me mantém assim, tão firme.
Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei, era quase escravidão, mas ela me tratava como um rei. Ela fazia muitos planos, eu só queria estar ali sempre ao lado dela, eu não tinha aonde ir. Mas, egoísta que eu sou me esqueci de ajudar, a ela como ela me ajudou e não quis me separar. Ela também estava perdida e por isso se agarrava a mim também, e eu me agarrava a ela porque eu não tinha mais ninguém… E eu dizia, ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo… Sei que ela terminou e que eu não comecei e o que ela descobriu eu aprendi também, eu sei. Ela falou: “Você tem medo.” Aí eu disse: “Quem tem medo é você.” Falamos o que não devia, nunca ser dito por ninguém. Ela me disse: “Eu não sei mais o que eu sinto por você vamos dar um tempo um dia a gente se vê.” E eu dizia ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo…
Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria…
Estou sempre precisando de consolo, costumo me sentir fraca e com frequência deixo de atender às minhas expectativas. Sei disso, e todos os dias resolvo ser melhor.
Eu não sei o que se passa dentro de você, mas se por caso eu passar por ai me segura, me prende, sei lá só me mantêm.
Na delicadeza das palavras procurei escrever sua presença e descrever o quanto é fascinante pensar você. Entenda que minhas mãos livres, que agora se dedicam à escolha das palavras certas, gostariam de estar presas às suas para te prensar: te segurar: e não te deixar voar. E que meus lábios secos, que agora se dedicam ao deserto silêncio da imaginação, gostariam de molhar os seus e desaguar no seu mundo até você florescer e germinar e brotar no jardim da minha poesia, como as lírios peruanos: suas flores preferidas: que sobrevivem muito bem sozinhas, certo, mas vivem muito mais quando têm alguém para alegrar suas dores ou admirar a beleza de suas cores. Entenda também que quando não ouvi sua voz: escrevi o timbre doce e delicado do som das suas palavras. Quando não te vi: descrevi toda a grandeza e a escuridão que habitam na profundeza lírica dos seus olhos: grandes e quase negros. E quando não consegui te tocar ou alcançar a maciez da sua pele: improvisei literalmente a textura da sua derme: tão branca: tão macia: e pude tatuar palavras que eu não sabia que existiam: e pude tatear tua alma como quem acaricia estrelas no céu, sem saber que elas também brilham e se espalham no chão: sem saber que elas brilham e se espelham em você para iluminar o mundo: o meu mundo.
Eu escrevo porque minha voz não tem força suficiente para dizer o que o meu coração sente.